quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Querido pai natal*

Se me quiseres fazer contente, se me quiseres compensar por tudo o que trabalho, se achares - e bem - que mereço este tipo de mimos, podes ir a uma furla qualquer ou à loja do Mark Jacobs e trazer de lá uma destas:

À esquerda no ecrã a carmen da Furla e à direita a tobo slouchy hobo marc by marc jacobs.
* antes que vos passe pela ideia tonta virem para aqui dizer que o Pai Natal não existe, respirem fundo, eu já sei.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Dias muito bons.

Não me posso sentar nos próximos dez dias. Deixei metade do rabo no dentista (ao preço do metro quadrado da nádega trintona sem celulite deve ter sido isso) e acabei de entregar um quarto do que sobrava ao condominio do prédio. Conclusão óbvia: não volto a passar dois anos sem ir ao dentista e três a fugir das reuniões de condóminos*.
Ofereço alvíssaras (boas, do género de consultas internéticas grátis) a quem me quiser representar nestes eventos.

Amanhã



No Foyer do teatro aberto pelas 19 horas. Haverá leitura de textos pelo Albano Jerónimo e pela Joana Seixas. Vençam a inercia e o medo de ajuntamentos. Conviver é uma coisa boa. E este rapaz escreve bem que só ele.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Serviço publico

Hoje recebi 120 mensagens com a mesma pergunta: "Então Dra., o que faço em relação à vacina da Gripe A?" Ora bem, eu até sou uma rapariga opiniosa e cheia de vontade de expressar o que me vai na alma. Venham cá com perguntas sobre a necessidade de ferver a água, ou de prender as crianças no desconfortável ovinho ou se devem, ou não, oferecer um andarilho ao vosso sobrinho de estimação(esta não aconselho muito). Ver-me-ão perorar, segura e convicta, sobre os assuntos e se me contradisserem apresento vinte e cinco mil estudos para vos deixar caladinhos.

Sendo desbocada também sou muito séria. Principalmente no que toca ao exercício da minha profissão. Desta vez não posso ser emotiva, nem falar de convicções. Por isso apresento os factos que existem. A doença parece moderada (pelo menos até ao momento e é pouco provável que mude já que a epidemia se está a resolver no hemisfério sul e o vírus não mudou de comportamento), com menor número de internamentos, doentes ventilados e óbitos do que a gripe sazonal. A vacina parece ser segura, claro que é uma vacina recente e que ainda faltam estudos mas, até agora, só se observaram as complicações descritas para qualquer vacina . Na maioria dos casos uma reacção local e, numa pequena minoria, reacções de hipersensibilidade mais severas. Posto isto, e havendo uma recomendação da DGS para a vacinação de crianças dos 6 aos 24 meses, a decisão será dos pais dessas crianças. Não sendo moralmente recomendadas posições pessoais - reparem que a posição de um médico assistente tem necessariamente poder vinculativo sobre o seu doente - a favor ou contra qualquer uma das opções, abstenho-me de tomar decisões que, neste caso, cabem exclusivamente a quem de direito.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Felicidade felicidade

Vou ter um fim-de-semana normal. Yupiiiiiiiiiii. Saio sexta do Hospital e só volto a trabalhar na segunda-feira. Isto já não acontecia há 6 semanas. Vou ter uma vida como as pessoas normais: jantar fora, ver amigos, acordar todos os dias na minha cama, estar muito tempo com o meu homem, vou visitar o Vasco, enfim, uma excitação. Chego a ter palpitações.
Se me virem na rua andarei seguramente a cantarolar e, arrisco, darei alguns pulinhos frenéticos sempre que me lembrar que não trabalho.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Ora então cá vai

Hoje uma amiga minha, muito dada à procura de profissionais de saúde - cada um com sua paranóia específica que é para haver diversidade -, perguntou-me: "então como é que se faz um médico?" "nunca entendi muito bem essa coisa do internato." A Muxy, que é amiga, explica. Primeiro, é preciso entrar na faculdade, o que nem sempre é fácil. Depois, é preciso fazer o curso, o que é ainda mais difícil. Como dizia o meu professor de anatomia do 1º ano "vocês estão convencidos de que são muito espertinhos porque entraram em Medicina, ora bem, aqui, são uma porcariazinha igual às porcariazinhas sentadas ao vosso lado". A parte da porcaria é mentira mas o resto nem por isso. São seis anos de sofrimento, há lugar ao regabofe, é verdade, mas é, ainda assim, duro. Nesses seis anos, os três primeiros são dedicados à ciência básica, anatomia e quejandos, e os três últimos à clínica. No quarto e quinto os alunos podem cheirar os doentes de longe e polir os corredores sempre sem brilho do hospital e no último, que é profissionalizante, brincam aos médicos mais ou menos a valer. Durante este último ano têm de fazer uma tese de mestrado (é mestrado integrado não tem a mesma dificuldade) e preparar o exame do Harrison's.
O exame do Harrison's é, possivelmente, nosso pior pesadelo. 700 páginas A3, letra corpo 8, espaçamento mínimo, sem figuras, para saber de cor. É mesmo à letra que decoramos tudo. Depois são 100 perguntas de escolha múltipla. O resultado coloca-nos numa posição entre mil candidatos (a nota de curso serve para desempatar). Essa posição permite-nos escolher a especialidade e o sítio onde a queremos fazer. Se o exame corre mal não conseguimos a especialidade e é um ano de vida desperdiçado.
Segue-se o ano comum (no meu tempo eram dois anos) em que os jovens já são médicos mas ainda não tem liberdade para o exercício autónomo. Não podem passar receitas ou atestados nem ver doentes sem supervisão e, em rigor, são obrigados a fazer tudo o que os crescidos não querem: hitórias clínicas, electrocardiogramas, notas de entrada, limpar as casas dos assistentes e as casas de banho do hospital (esta parte é mentira boa?!).
Se tiverem tido boa nota no exame do Harrison's entram na especialidade que queriam e se tiverem tido muito boa nota até escolhem o hospital. Depois são 4, 5 ou 6 anos, consoante a especialidade, de trabalho numa área específica. Durante este tempo, o interno - este tempo chama-se internato complementar - deve, além de aprender a ver, diagnosticar e tratar doentes, produzir ciência. O que fazemos, na maioria dos casos, são trabalhos que não interessam a ninguém mas permitem encher o currículo que é um factor importante. Há exames anuais e prestação de provas práticas. No fim dos cinco anos somos obrigados a descrever o que fizemos e a enfrentar um júri nacional de cinco elementos para provar que somos capazes de ser especialistas. Os exames duram dois a três dias e variam de especialidade para especialidade. Esta parte é o equivalente aos residents da Anatomia de Grey, sem as enjoadinhas tipo Meredith e sem os Mc Steamys e Mc Dreamys, há alguma pouca vergonha, dizem, que eu nunca vi nadinha, mas muito menos festa.
Já especialistas vamos crescendo como podemos. Alguns rápido demais e com muitas dores.
Aproveito para desejar muito boa sorte a todos os meus colegas que vão fazer o famigerado exame no dia 19 de Novembro.

Para rematar em beleza

domingo, dia oficial da celebração do aniversário do meu Francisco - Sobrinho, festa agradável, onde, entre outras manifestações de propriedade - é a minha casa, é o meu brinquedo, é o meu jogo and so on-, pude ouvir o pequeno comandante dizer "é a minha tia". Ora bem, eu sei que não é uma manifestação de afecto, mas antes, um esboço de tirania condenável por todos os manuais de maternage e quejandos, no entanto, soube-me muito bem. Sou uma moça assim, de afectos intensos.
Ainda no domingo nasceu o Vasco. O Vasco não é da minha família mas gosto dos pais do Vasco, principalmente da mãe do Vasco - desculpa lá Xalo mas agora somos irmãs do peito - como se fosse de sangue. Gosto deles porque são fixes, porque quiseram continuar meus amigos quando era dificil, porque são daqueles que partilham tristezas e alegrias, enfim, gosto deles porque gosto. Estava cheia de vontade de ver a cara do crianço que, para alegria de todos, é lindo de morrer. Reparem que vejo pelo menos 20 recém-nascidos por dia, portanto, tenho uma opinião douta. O Vasco é lindo, gostamos muito de ti miúdo.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Efemérides

Fez ontem três anos que, quando passavam 53 minutos da uma da manhã, o meu sobrinho cumprimentou o mundo pela primeira vez. Demorei quase doze horas a despir a pediatra para assumir o papel de tia. Ainda hoje, me disfarço pontualmente de médica, para lhe fazer as consultas. Ele, esperto que só visto, leva a coisa na boa e acha que a tia "trabalha com brinquedos". Vejo-o muito menos vezes do que ele merece e todos os anos prometo que me vou esforçar mais. Até agora foram três anos fraquinhos. É um miúdo fixe, simpático, bem educado - a minha irmã é uma grande mãe - e tranquilo, dá um gosto imenso estar ao pé dele. O meu sobrinho chama-se Francisco.

Faz logo dois anos que, a uma hora qualquer da noite, o meu marido me olhou a primeira vez. Quis o destino que escrevesse sobre o assunto e que alguém que me é próximo me mostrasse o escrito. Fomos somando acidentes e improbabilidades e percebendo que a vida nos dava "a oportunidade". A história de amor da vida, o tipo de felicidade que espero que toda gente possa experimentar. O meu marido chama-se Francisco.

Francisco é meu nome favorito por estas duas razões. Hoje celebro ter esta sorte. Para festejar em grande estou de banco mas........ a minha vida é mesmo assim.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Das excepções que confirmam as regras

Sabíamos que ia acontecer. Mais cedo ou mais tarde íamos ficar afogados na coisa. A coisa, e isto é a interpretação livre dos factos, é verde e pegajosa, desfaz-se em litros de ranho, dores no corpo, inchaço no nariz e febre. Não é uma coisa bonita, as doenças não o são por regra. Estávamos bem cientes que a coisa não matava mais do que matavam as outras coisas verdes e pegajosas que nos inundam o inverno. Afinal a epidemia estava a resolver no hemisfério sul e, era ciência feita, a coisa não tinha feito dano pior que outras coisas que conhecíamos. Mas desta vez ia ser diferente. Havia o medo. De forma que nos fomos preparando para a coisa, achando que, quando a coisa viesse toda enfeitada de medo, a receberíamos de mangas arregaçadas e dispostos a lutar. Agora a coisa veio. A primeira morte encheu as urgências, desesperou os pais, instalou o pânico e a falta de racionalidade e está prestes a tornar este inverno num inferno, sem que sequer a música do Roberto Carlos nos possa salvar. Em nós não é a gripe que faz baixas mas um cansaço insano. Estamos a ficar exangues na repetição infinita das mesmas palavras uma, e outra, e cento e setenta vezes, todos os dias. Explicar que esta gripe é uma gripe, que não interessa a letra do abecedário, que se trata como o resto com chá, mimo e ben-u-ron.
Morreu um miúdo, é certo. Todos os anos morrem miúdos com doenças que noutros miúdos não fazem mossa. Continua a ser uma excepção, continua a confirmar a regra.
PS. Atenção, a criança que morreu no Hospital de Dona Estefania, era particularmente frágil. Tinha uma cardiopatia que podia ser agravada por QUALQUER doença virica.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Abram alas à madrinha II

Se a Leididi já falou do assunto é porque o blackout acabou. Ontem fomos convocadas, seis das sete que vão desempenhar o papel, para jantar com a noiva. Já sentadas, a salivar pelo sushi - eu menos que só tinha metade da cara a funcionar (aventuras e desventuras de senhora Muxy no dentista) -, ofereceu-nos uns envelopes pequeninos para abrir ao mesmo tempo. Um, dois, três - repiração ofegante e muita excitação - o cartãozinho personalizado tinha escrito "palavras palavras palavras QUERES SER MINHA MADRINHA DE CASAMENTO???". Ficámos todas embasbacadas e sem voz imediata. Em menos de nada a alegria ficou clara e houve braços no ar, beijos, risos parvos, palavras ainda mais parvas, discussão acesa sobre o que seria o papel da madrinha e planos, muitos planos. Para já, só definimos que o tema é Lisboa e que vamos entrar na igreja de saia rodada, avental e arco qual marchantes da Bica ou de outro bairro qualquer. Nunca fui madrinha de casamento de ninguém e não sei bem o que me espera mas vou estudar para saber o papel de cor e fazer o melhor que me for possivel. Estou muito contente, é o que te digo.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Esclarecimento da populaça

Da próxima vez que me queixar do que me custou a viagem a Praga, é possível que o sorriso sarcástico do meu interlocutor lhe custe a impressão dos nós dos meus dedos no queixo. A ver, eu paguei a viagem a Praga. Aliás, a ser rigorosa, paguei a viagem, o curso, a estadia e a comidinha toda que lá papei. Não houve qualquer interferência da indústria farmacêutica nas minhas despesas de representação ou lá como é que se chama. A quem não me conhece, eu esclareço. No exercício da minha profissão recorro pouco à prescrição (belo verso). Do meu formulário fazem parte o ben-u-ron e, raramente, o brufen, o atarax, o salbutamol, uns dois corticoides e esse grande antibiótico chamado amoxicilina que por vezes combino com o acido clavulânico. Muito pouca coisa portanto. Devo ainda acrescentar que recorro sempre aos genéricos. Junto a tudo isto alguma falta de tempo para os delegados. O resultado final é que os DIM se sentem pouco tentados a oferecer-me o que quer que seja. Por isso, e é um facto que me agrada, quando quero aprender faço-o à minha custa.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Aconteceu, é notícia!

Pela primeira vez alguém chegou ao Paracuca com uma dúvida pertinente: "Qual é a cura para a pila pequena". Esta pessoa veio de Angola e, deixando-me uma questão difícil que a ser sincera não sei responder, fez-me rir a bandeiras despregadas.

Agenda Cultural



É um livro sobre Vampiros, medo buhhhhhhhhh!!! Mais importante é um livro onde escrevem o Miguel Esteves Cardoso, o Rui Zink, o José Eduardo Agualusa, a Ana Paula Tavares, o João Tordo, a Hélia Correia e mais pessoas. O lançamento é quinta feira, dia 29 de Outubro, na cantina da Lx factory, às 18h30 acho eu - confirmem-. É um livro que me é caro. Gostava que vocês lá fossem.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Praga 2

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Praga 1

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Nenhuma das fotografias que tirei faz justiça à cidade. Só pude passear de noite e não consegui fazer melhor. Praga é linda, entrou directamente para o meu ranking de cidades mais belas, ultrapassada apenas por Veneza (que será sempre a minha/nossa cidade).

Três casamentos e uma amizade

Primeiro foi o casamento onde nos conhecemos. Rosnaste-me, o que é feio, mas tinhas razão. Quando percebi quem eras, olhei-te endoscopicamente até que sentiste o esófago repuxado, o que é ainda mais deselegante. Eras a Pipoca e eu estava curiosa. Enchi-me de coragem e assaltei-te na casa-de-banho, "desculpa, não resisto, és a pipoca não és?" respondeste que sim e não me deste mais trela. O tempo passou a vida também e, um dia escrevi-te, andavas triste e achei que te devia dizer que o que não nos mata fortalece-nos o carácter. Fomos trocando conversa, arriscaste vir aqui jantar e iniciámos um ritual estranho de nos encontrarmos em parques de estacionamento e ficar na conversa até às quatro da manhã. Era tão fácil falar contigo que fui gostando cada vez mais de ti e, sem qualquer esforço, entraste no mundo selecto das minhas amigas. Das boas que partilham alegrias e lágrimas e sapatos e angustias sobre celulite.
O segundo foi o meu casamento. Acompanhaste tudo com excitação. Ofereceste-te para ir comigo a Madrid comprar os Louboutin. Rimos juntas a pensar no que ia ser. No dia estavas lá, a torcer por mim e a dividir a alegria, que assim, só se multiplica.
O terceiro será o teu. Será magnífico porque é o teu e tu és quem és. Parabéns minha querida, para ti e para o "teu homem" que é uma pessoa para lá de especial que soube perceber como és única e conquistar o pódio do teu coração. Deste lado prometo estar ao teu lado a ajudar-te no que for preciso (não venhas para aqui pedir Louboutins que eu sou uma médica pobrezinha), da mesma forma que prometo chorar baba e ranho e tentar sujar-te o vestido.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Boletim Meteorológico

Amanhã sol, temperaturas entre 1-10 ºC, céu limpo e um frio de rachar, já na quinta há 20% de hipoteses de chuva, as temperaturas andarão entre os 7 e os 9ºC, na sexta, friozinho na mesma, 4 a 12ºC, mas diz que o sol vai espreitar, chegando a sábado prevê-se, para variar, frio - 5 a 13ºC- e o pior é que temos de vir embora. Mochila pronta, cheia (a rebentar é mais adequado) de roupa quentinha, cachecóis, luvas e gorros, artigos guardados, bilhetes na mão, partimos as três para aprender ventilação. Ou para fingir que aprendemos. O certo é que vamos tentar saber mais qualquer coisinha. Se der para passear um bocadinho, apesar do frio, não diremos que não.
A fotografia foi descaradamente roubada, desculpa lá pessoa que a tiraste, não é com maldade.

sábado, 17 de Outubro de 2009

O que me custa não é o sono que come os músculos e os ossos, não é o cansaço que chega a dar náuseas, não são as dificuldades de gestão de emoções tão tremendas, não é perder o sol lá fora, não é desperdiçar fins-de-semana, feriados e natais, não é faltar reiteradamente às coisas, o que me custa, o que torna tudo realmente difícil é estar tanto tempo longe de ti.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Dos nossos obsoletismos

Os Curricula médicos têm, em média, 100 páginas. Nessas 100 páginas é contado, com pormenor, o percurso do médico desde a graduação, referida, ao de leve, em quaisquer duas páginas, até ao término do internato da especialidade. Tenho para mim, que a maioria deles terão descrições exaustivas de idas à casa de banho, de outra forma não haveria o que contar. Doeu-me a barriga eram 3h15min, levantei-me e dirigi-me ao wc, rodei a maçaneta, encontrei um espaço branco e asséptico onde existiam uma sanita, um duche (luxo, grande luxo), um lavatório e nos dias bons papel higiénico, libertei-me da roupa e ... deixo o resto à imaginação do leitor que o curriculum vitae é, já se sabe, coisa íntima.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Obsessão 42

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ficou tudo na maldita mala.

Ora bem

À pergunta: "és mesmo parva, porquê que continuas a votar em Cascais?" Resposta simples: "Em Oeiras, onde contribuo para a elevada qualidade de vida, elegem pessoas condenadas em tribunal."

domingo, 11 de Outubro de 2009

Votei eram 8H04 minutos. Lá fui eu, contente da vida, cumprir o acto rebelde de votar nos comunistas em pleno concelho de Cascais. Protesta-se como se sabe. De toda a forma, uma vez cumprido o dever cívico, tomou conta de mim uma intensa alegria. Do Estoril, a obrigação levou-me ao hospital e agora só saio daqui amanhã às oito da noite. Quem é sortuda quem é??!?
Gostava de chamar a atenção aos senhores da Visão. Tenham cuidado antes de escrever balelas. Que o Professor Lobo Antunes ganhe o dinheiro que referiram, parece-me plausível e até justo (the dr. is a brain surgeon for God's sake) agora que um interno do segundo ano ganhe 2650 euros é pouco razoável e mostra desconhecimento e preguiça. As tabelas de pagamento da função pública são conhecidas, e é bem claro que os internos ganham cerca de metade disso bruto, com 42 horas de trabalho semanais.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Mais um fim de semanazinho mais uma eleiçãozinha.

Fartinha até aos olhos de pregar aos peixes e bastante insatisfeita com a abstenção (mais com a vitória do Paulo Portas Pim) das últimas eleições, a Paracuca não tornará a instigar os leitores ao voto. Façam o que entenderem mas, fiquem sabendo que, quem não vota, é feio e mau.
Fechada em modo quase contínuo, qual rapunzel sem tranças, nesta torre de onde vejo muito ao longe, muito muito ao longe mesmo o mundo, recebo notícias boas da Suécia. Diz que o Nobel vai para o Obama, a mim parece-me muito bem. Podem (devem) ler o que escreve a Luna sobre o assunto para ficarem mais iluminados.
Eu agora vou dormir. No Domingo trabalho mais umas horas de forma que esta semana, se não me finar pelo caminho, trabalharei no total. Não estou a contabilizar o que faço em casa, como o bom leitor saberá, isso é só trabalho mental, custa menos.
Beijinhos e abraços a todos, sim?!

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

A felicidade dos outros é chata, dizem-me.

Acho que foi o Oscar Wilde que escreveu que queria amigos que pudessem partilhar com ele a felicidade. Daqueles fixes, capazes de se rirem connosco mesmo quando a vida deles está uma merda porque lhes caiu o tecto na cabeça, a namorada foi pregar para outra freguesia ou o patrão lhes chateia a molécula até ao infinito e voltar. Amigos que estão lá depois dos enterros, das mágoas e da dor, no dia do casamento ou no dia do baptizado dos filhos a sorrir connosco como se a sorte fosse deles. Eu tenho muitos destes amigos. O problema é com pessoas que não me conhecem bem. Sou pouco reservada no que sinto, excessivamente transparente, dizem, os que já lidaram com o meu mau feitio. Quando estou triste toda a gente sabe mas, esta é a minha face mais rara, porque é a mais feia e eu sou vaidosa. O habitual é andar de sorriso escancarado, até porque é bonito e me custa caro, rir alto, falar uns decibéis acima do normal, andar contente é o que é. Não sou sempre feliz, a felicidade permanente é apanágio dos pobres de espírito e eu tenho uma alma que é uma riqueza. Mas este ar alegre, jovial e animado custa-me rótulos. É frequente que me considerem infantil, inquieta, tontinha deve ser o que pensam mas faltam-lhes tomates para dizer. Por isso a partir de hoje não há dentes para ninguém. Claro que eu não consigo mas, a ser franca, apetecia-me.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

antigamente é que era

Antigamente os dentistas faziam medo. Muito medo diria eu, que, sempre que a mãezinha me arrastava até um consultório destes, suava e sofria ao ritmo do som da broca e dos outros instrumentos semi-medievais que os senhores usavam. Agora os dentistas fazem medo na mesma mas são finos. No consultório que frequento, a decoração é irrepreensível, as secretárias são educadas e simpáticas, há quadros nas paredes, os doutores exibem placas douradas nos consultórios que atestam a sua elevada formação made in América e as pessoas são genericamente asseadinhas e bonitas. Cada um deles é especialista numa coisinha, um é das desvitalizações, outro é da estética, outro da ortodôncia e há mais, mas não decorei. Antigamente os dentistas sabiam fazer tudo e nem iam à América. As brocas não tocam música, os aspiradores não contam piadas, a anestesia dói, as cadeiras têm televisão mas não se vê porque a cabeça dos médicos não é transparente e o pior é que temos de escancarar a boca a mil e uma pessoas para conseguir um tratamento. Há aqui alguma devassa da intimidade. Assim, apesar de gostar muito do meu dentista (meus dentistas) estou aqui com o mesmo medo que tinha aos dez anos. Se eu não voltar, já sabem, morri de enfarte.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

obsessão 41

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Uma noite inteirinha com estes nos pés. Devidamente sedada com vinho da região e algum champanhe e com a analgesia rigorosa de um brufen de 8 em 8 horas, dancei como se fosse fácil e cantei como se o soubesse fazer. Nunca, mas nunca me atrapalhei.

5 de Outubro

Render graças pela piada.
Valha-nos a bênção dos que sabem efectivamente escrever.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Oh fáxavor!!!

Eu gosto, eu mereço, vendem-se na net (http://www.lujuriashoes.com/), para mim é um 36, custam 140 euros. Se não me quiserem oferecer e apesar de serem maus por isso, ficam a saber que existem.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Na mesma linha intimista do post anterior queria contar-vos uma história. Um destes dias, numa qualquer urgência deste país, um pai zangado tentou partir tudo enquanto chamava nomes bonitos como "minha pequenita prostitutazinha" ou "minha mãezinha de um vitelo fofinho" às pessoas que aí trabalhavam. A indignação do pai prendia-se com, surpresa surpresa, as duas horas de espera a que tinham votado o seu filhote com o nariz cheio de ranho. Se me compadeço com o ranho da criança? Sem dúvida que sim. Se me parece que a criança estaria melhor na sua casinha, no colinho da sua mãe, a beber um chá quentinho, do que no desconforto de urgência, cheia de outros ranhos e maleitas piores? Parece pois. O paizinho que decidiu torturar a criança e insultar quem trabalhava ficará impune. É verdade que a policia de choque apareceu mas também é verdade que o senhor foi para casa. O que mais me impressionou nesta história, além da indignação da minha colega, que jurava a pés juntos não ter outra profissão e declarar tudo o que ganhava no IRS, foi que durante as duas horas a que o digno se senhor se referia, as vacas citadas estavam reanimar uma criança que entrou na sala de emergência em coma.
Detesto posts intimistas (isto é mentira) mas eu não me lembrei de outra forma de começar. Adiante. Para que se entenda, quero esclarecer que sou uma defensora, algo fundamentalista, do sistema nacional de saúde (é tudo com letras grandes mas dava trabalho e não me apeteceu). Há um comportamento muito habitual nas pessoas que me conhecem pela primeira vez. Depois das apresentações, começam por se surpreender porque sou médica (eu sei, all that and brains too, what can i do?!?), seguem fazendo-me mil e uma questões - se tiverem filhos então é um mimo - como se depois de um dia de trabalho se aproximasse do agradável continuar em esforço e rematam a coisa insultando-me enquanto membro da classe - os médicos, esses bandidos, com os seus jipes e os seus telemóveis, odeio-vos!!! - e destratando o SNS que é um jovem adulto lindinho e com bastas qualidades. Ora, eu que sou uma rapariga simpática, que fala com toda a gente e de tudo, confesso-vos que isto me cansa. Nos ultimos encontros deste género apeteceu-me mesmo ser malcriada e desatar a cantar a Madalena Iglesias enquanto o meu interlocutor se desfazia em fúria contando a sua ultima passagem por uma urgência e a forma como os doutores, esses estupores, o tinham destratado.
Eu não estou de acordo, e da próxima vez que me quiserem insultar, por favor, não me peçam consultas antes, mete-me nojo. ObrigadoS.